O Esquecimento

Um dia pediram-me lá em casa para levar um saco de ginástica do meu irmão para a cidade porque se tinham esquecido dele. Sabendo do meu possível esquecimento, peguei no saco (mesmo antes de me arranjar para sair) e coloquei-o num sítio onde, para conseguir ir embora, tivesse de passar por ele. Escolhi o fundo das escadas e coloquei-o bem no fundo. Tinha de o ver, porque senão, tropeçava nele e mandava com a cabeça no armário que está mesmo à frente. Fui fazer o que me faltava e, quando me preparava para ir embora, ao descer as escadas mandei um pontapé no saco e pensei: Aqui em casa deixam tudo no meio do caminho e assim, qualquer dia mando aqui um malho que morro. Vim embora. A meio do caminho toca o telemóvel. Era a perguntar se me tinha esquecido do saco. Boa, pensei. Isto é verídico. A partir desse dia, continuo a esquecer-me das coisas com a maior das facilidades. Mas aprendi, pelo menos a não fazer planos para não me esquecer das coisas.
Sou assim e, sinceramente, nem me lembro porque comecei a falar disto. Se calhar valia a pena ter batido com a cabeça no armário. Nunca se sabe.
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